Reflexão Final
A frequência desta unidade
curricular, que aparece neste curso de mestrado, como oferta opcional, devia na
minha modesta opinião, constituir uma unidade “nuclear” do curso, na medida em
que as novas tecnologias marcam o nosso dia a dia e por isso mesmo exigem uma
atualização permanente dos cidadãos em geral, e em particular dos agentes de
ensino, que têm como missão preparar crianças e jovens para a vida ativa. Sendo
os nossos alunos “nativos digitais”, a formação de professores na área das TIC
é indispensável, se queremos ter uma escola fundamentada nos novos paradigmas
do ensino, onde as metodologias, as estratégias sejam inovadoras, colocando o
aluno no centro da aprendizagem, recorrendo para tal aos mais variados recursos
e suportes.
Ao frequentar esta unidade,
consciencializei-me do muito que tenho para aprender no âmbito das novas tecnologias e das
inúmeras potencialidades que oferecem em contexto escolar, podendo e devendo
ser dinamizadas por todos os docentes, cabendo no entanto à biblioteca escolar,
um papel fulcral na implementação de novas práticas. É verdade, que já todos
ouvimos falar nas bibliotecas digitais, nas redes sociais, nas plataformas
online, no ensino e-learning, mas nem
sempre as sabemos explorar da forma mais correta. Nesta unidade tivemos também conhecimento do “blended learning”, uma estratégia de
aprendizagem que considero muito válida e que pode ser implementada também nas
nossas escolas, pelo menos a nível do ensino secundário.
Nas últimas décadas tem havido
algum investimento por parte do Estado nas escolas públicas, no sentido de as
dotar de equipamentos tecnológicos. Mas não interessa apetrechar as escolas com
todos estes meios se efetivamente não houver uma formação inicial e contínua
dos professores para que estes possam ensinar utilizando as tecnologias. Foi
com este objetivo que surgiu o modelo TPACK (Tecnological Pedagogical Content
Knowledge) (Moreira, 2015 p.77). Este referencial desenvolve-se a partir da
ideia de interseção de três formas de conhecimento que os professores deverão
dominar – o conhecimento científico (relativo aos conteúdos a ensinar), o
pedagógico (correspondente ao conhecimento dos processos, práticas e métodos de
ensino) e o tecnológico (conhecimento das ferramentas, tecnologias). Só aliando
estes conhecimentos será possível ao professor integrar com eficácia as
ferramentas da Web 2.0 na sua prática diária. Por outro lado, é fundamental a
criação de instrumentos de avaliação, que possibilitem tornar todo este
processo mais fácil e mais fiável. No capítulo IV “Formação de professores para
a Web 2.0: o TPACK como referencial teórico” in Inovação e Formação na sociedade digital (Moreira, Angélica
Monteiro e Daniela Barros, 2015) são enunciados vários instrumentos/ferramentas
que podem ser aplicados quando se pretende avaliar a formação de acordo com o
referencial TPACK. É o caso do questionário de Schmidt e al. (2009), a proposta
de Harris, Grandgennet e Hofer e muitos outros que aparecem referenciados no
capitulo acima referido. Com características diferentes todos eles, parece-me
muito interessante o questionário de Schmidt e al. na medida em que vai
orientando a análise, proporcionando uma autoavaliação mais rigorosa. Ora estes
modelos são, pelo que me apercebi, desconhecidos da grande maioria dos professores,
o que prova mais uma vez a necessidade da formação docente nesta área.
Dotados dos conhecimentos e
ferramentas necessários a uma eficaz promoção e utilização das novas
tecnologias, o docente, pode tornar-se um mediador, no contexto de
ensino-aprendizagem, colocando o aluno no centro da aprendizagem, construtor do
conhecimento, que resulta da colaboração de todos.
Já todos utilizámos o vídeo em
contexto pedagógico, mas será que o utilizámos da melhor forma? Para que esta
experiência audiovisual resulte pedagógica e didaticamente, a formação do
docente na utilização do vídeo, enquanto objeto de estudo e de recurso
pedagógico, é indispensável. A desconstrução do vídeo permite retirar das
imagens visualizadas informações e refletir sobre as mesmas, proporcionando o
debate de ideias.
Porque não começarmos a diversificar e
utilizarmos também como uma das estratégias em sala de aula, os jogos digitais,
vendo de que maneira pode ser feita a sua exploração didático-pedagógica,
favorecendo uma “aprendizagem de interação lúdica, estimulante, dinâmica e
cooperativa” (Moreira, 2015)? Outro desafio será a própria construção de jogos,
o que exige ainda mais conhecimentos e tempo, apesar de existirem já no mercado
ferramentas que facilitam esta construção como é, por exemplo, o caso do
ambiente de programação Scratch.
A breve alusão que se faz a todos
estes desafios que as novas tecnologias nos proporcionam, não esgota todas as
questões que ao longo deste semestre fomos debatendo nos diversos fóruns desta
unidade. Uma aprendizagem que resultou da leitura, da reflexão e do debate
construtivista e colaboracionista que se foi desenvolvendo entre a comunidade
de alunos, que teve como mediador, um professor, que esteve sempre presente
incentivando, questionando, orientando, pondo em prática os princípios por ele
defendidos no que diz respeito à utilização das novas tecnologias em contexto
de ensino e à construção do conhecimento. Testemunho do seu excelente
desempenho, foram as inúmeras intervenções, registadas em todos os fóruns da
unidade.
Não poderia terminar esta breve reflexão sem deixar uma
palavra de agradecimento ao professor António Moreira por ter contribuído para
a minha formação numa unidade curricular de que gostei imenso pelas temáticas
abordadas, pela organização, pela metodologia seguida e pela dinâmica
desenvolvida pelo professor.

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