quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Reflexão Final

A frequência desta unidade curricular, que aparece neste curso de mestrado, como oferta opcional, devia na minha modesta opinião, constituir uma unidade “nuclear” do curso, na medida em que as novas tecnologias marcam o nosso dia a dia e por isso mesmo exigem uma atualização permanente dos cidadãos em geral, e em particular dos agentes de ensino, que têm como missão preparar crianças e jovens para a vida ativa. Sendo os nossos alunos “nativos digitais”, a formação de professores na área das TIC é indispensável, se queremos ter uma escola fundamentada nos novos paradigmas do ensino, onde as metodologias, as estratégias sejam inovadoras, colocando o aluno no centro da aprendizagem, recorrendo para tal aos mais variados recursos e suportes.
Ao frequentar esta unidade, consciencializei-me do muito que tenho para aprender  no âmbito das novas tecnologias e das inúmeras potencialidades que oferecem em contexto escolar, podendo e devendo ser dinamizadas por todos os docentes, cabendo no entanto à biblioteca escolar, um papel fulcral na implementação de novas práticas. É verdade, que já todos ouvimos falar nas bibliotecas digitais, nas redes sociais, nas plataformas online, no ensino e-learning, mas nem sempre as sabemos explorar da forma mais correta. Nesta unidade tivemos também conhecimento do “blended learning”, uma estratégia de aprendizagem que considero muito válida e que pode ser implementada também nas nossas escolas, pelo menos a nível do ensino secundário.

Nas últimas décadas tem havido algum investimento por parte do Estado nas escolas públicas, no sentido de as dotar de equipamentos tecnológicos. Mas não interessa apetrechar as escolas com todos estes meios se efetivamente não houver uma formação inicial e contínua dos professores para que estes possam ensinar utilizando as tecnologias. Foi com este objetivo que surgiu o modelo TPACK (Tecnological Pedagogical Content Knowledge) (Moreira, 2015 p.77). Este referencial desenvolve-se a partir da ideia de interseção de três formas de conhecimento que os professores deverão dominar – o conhecimento científico (relativo aos conteúdos a ensinar), o pedagógico (correspondente ao conhecimento dos processos, práticas e métodos de ensino) e o tecnológico (conhecimento das ferramentas, tecnologias). Só aliando estes conhecimentos será possível ao professor integrar com eficácia as ferramentas da Web 2.0 na sua prática diária. Por outro lado, é fundamental a criação de instrumentos de avaliação, que possibilitem tornar todo este processo mais fácil e mais fiável. No capítulo IV “Formação de professores para a Web 2.0: o TPACK como referencial teórico” in Inovação e Formação na sociedade digital (Moreira, Angélica Monteiro e Daniela Barros, 2015) são enunciados vários instrumentos/ferramentas que podem ser aplicados quando se pretende avaliar a formação de acordo com o referencial TPACK. É o caso do questionário de Schmidt e al. (2009), a proposta de Harris, Grandgennet e Hofer e muitos outros que aparecem referenciados no capitulo acima referido. Com características diferentes todos eles, parece-me muito interessante o questionário de Schmidt e al. na medida em que vai orientando a análise, proporcionando uma autoavaliação mais rigorosa. Ora estes modelos são, pelo que me apercebi, desconhecidos da grande maioria dos professores, o que prova mais uma vez a necessidade da formação docente nesta área.
Dotados dos conhecimentos e ferramentas necessários a uma eficaz promoção e utilização das novas tecnologias, o docente, pode tornar-se um mediador, no contexto de ensino-aprendizagem, colocando o aluno no centro da aprendizagem, construtor do conhecimento, que resulta da colaboração de todos.
Já todos utilizámos o vídeo em contexto pedagógico, mas será que o utilizámos da melhor forma? Para que esta experiência audiovisual resulte pedagógica e didaticamente, a formação do docente na utilização do vídeo, enquanto objeto de estudo e de recurso pedagógico, é indispensável. A desconstrução do vídeo permite retirar das imagens visualizadas informações e refletir sobre as mesmas, proporcionando o debate de ideias.
 Porque não começarmos a diversificar e utilizarmos também como uma das estratégias em sala de aula, os jogos digitais, vendo de que maneira pode ser feita a sua exploração didático-pedagógica, favorecendo uma “aprendizagem de interação lúdica, estimulante, dinâmica e cooperativa” (Moreira, 2015)? Outro desafio será a própria construção de jogos, o que exige ainda mais conhecimentos e tempo, apesar de existirem já no mercado ferramentas que facilitam esta construção como é, por exemplo, o caso do ambiente de programação Scratch.
A breve alusão que se faz a todos estes desafios que as novas tecnologias nos proporcionam, não esgota todas as questões que ao longo deste semestre fomos debatendo nos diversos fóruns desta unidade. Uma aprendizagem que resultou da leitura, da reflexão e do debate construtivista e colaboracionista que se foi desenvolvendo entre a comunidade de alunos, que teve como mediador, um professor, que esteve sempre presente incentivando, questionando, orientando, pondo em prática os princípios por ele defendidos no que diz respeito à utilização das novas tecnologias em contexto de ensino e à construção do conhecimento. Testemunho do seu excelente desempenho, foram as inúmeras intervenções, registadas em todos os fóruns da unidade.
Não poderia  terminar esta breve reflexão sem deixar uma palavra de agradecimento ao professor António Moreira por ter contribuído para a minha formação numa unidade curricular de que gostei imenso pelas temáticas abordadas, pela organização, pela metodologia seguida e pela dinâmica desenvolvida pelo professor.


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