https://www.youtube.com/watch?v=eXLdqO0fY3w
Vídeo muito interessante postado na plataforma para introdução ao tema. Aponta para as alterações rápidas nas tecnologias e as suas implicações na educação. O que necessitam os professores saber nesta era digital? Como ensinam?/O que ensinam?Em que contexto?
O modelo TPACK, desenvolve-se a partir da
ideia de intersção de três tipos de conhecimento que os professores deverão
dominar - o conhecimento científico (relativo aos conteúdos a ensinar), o
pedagógico (correspondente ao conhecimento dos processos, práticas e métodos de
ensino) e o tecnológico (conhecimento das ferramentas, tecnologias)
TPACK- Um modelo de formação integrado (síntese)
A sociedade digital em que vivemos exige
mudanças inevitáveis no paradigma do ensino. A utilização da Web 2.0 e
das suas ferramentas no contexto educativo, pressupõe novas metodologias mais
ativas, mais participativas e colaborativistas no processo ensino-aprendizagem
com alterações no papel do aluno e do professor .
Todos sabemos da existência da WEB 2.0, temos a noção de que são
inúmeras as ferramentas que podem ser utilizadas, mas há ainda um grande número
de docentes que não as sabe utilizar, mas pior do que não as saber utilizar é
tentar ignorá-las e não haver predisposição para aprender.
No campo teórico, tal como se refere no capítulo IV “Formação de
professores para a Web 2.0: o TPACK como referencial teórico” in Inovação
e Formação na sociedade digital (Moreira,Angélica Monteiro e Daniela
Barros,2015) têm surgido várias pedagogias que procuram ajustar-se à realidade
da web social como a “conetivista” (“pedagogia em rede”) defendida
por Stephen Downes e George Siemens, o conceito da “Coaprendizagem
2.0”, conceito desenvolvido no Knowledge Media Institute e
ainda o conceito defendido por McLoughlin e Lee de “Pedagogia 2.0 para
uma Escola 2.0”, que contribuem para a construção do
conhecimento.
Assim, a formação de professores, quer a inicial, quer a
continua deverá prepará-los para a sua nova missão, utilizando e integrando as
TIC, através da interseção dos três tipos de conhecimento preconizados pelo
modelo TPACK.
Como refere a colega Maria Teresa Marques numa das suas
intervenções “também no estudo sobre The Technological Pedagogical Content Knowledge Framework for
Teachers and Teacher Educators, o
modelo TPACK é referido como sendo um referencial que contribui para que os
professores estejam capacitados para planear as suas áreas curriculares,
sabendo utilizar as tecnologias em qualquer contexto pedagógico: “The TPACK
framework describes
how effective teaching with technology is possible by pointing out the free and
open interplay between technology, pedagogy, and content (…) In confronting the ways in which technology, content,
and pedagogy interact in classrooms contexts, we see an active role for
teachers as designers of their own curriculum. »
Só aliando estes conhecimentos será possível ao professor
integrar com eficácia as ferramentas da Web 2.0 na sua prática diária e
proceder a uma avaliação dos resultados conseguidos.
Alguns investigadores têm empreendido estudos e têm criado
instrumentos de avaliação de modo a avaliarem a integração das tecnologias no
ensino, mas há ainda um longo caminho a percorrer para sabermos a verdadeira
amplitude das inovações tecnológicas no ensino.
Na verdade, a criação de instrumentos de avaliação,
torna todo este processo mais fácil e mais fiável. No capítulo IV “Formação de professores para a Web 2.0: o TPACK
como referencial teórico” in Inovação
e Formação na sociedade digital (Moreira, Angélica Monteiro e Daniela Barros, 2015) são
enunciados vários instrumentos/ferramentas que podem ser aplicados quando se
pretende avaliar a formação de acordo com o referencial TPACK. É o caso do
questionário de Schmidt e al. (2009), a proposta de Harris,
Grandgennet e Hofer e muitos outros que aparecem referenciados no capitulo
acima referido. Com características diferentes todos eles, parece-me muito
interessante o questionário de Schmidt e
al. na medida em que vai orientando a análise, proporcionando uma
autoavaliação mais rigorosa.
As mudanças tecnológicas são cada vez mais rápidas, mas
a questão das mentalidades é bem mais complexa, o que significa que no terreno
nem sempre é fácil a implementação do que aparece de novo, quer seja no domínio
das tecnologias ou noutros. Sabemos, por experiência própria, que para
evoluirmos como pessoas e como profissionais há que analisar, refletir, avaliar
as nossas ações/metodologias para que possamos de uma forma mais segura e
profícua manter o nosso rumo, ou quando é caso disso mudá-lo seguindo outros
caminhos ou práticas, ou reformulando o que consideramos que correu menos bem.
Os professores, pela sua “missão”, devem estar ainda
mais atentos a essa análise, avaliação das suas práticas, adaptando-se tanto quanto
possível aos novos tempos. E é aqui que a formação, não só inicial, mas
sobretudo continua, prefiro a expressão “ao longo da vida” pode ser
determinante.
Da leitura das intervenções conclui-se que o modelo
TPACK não era do conhecimento da maioria dos alunos deste curso. Todos temos
consciência da importância do uso das novas tecnologias no contexto do
ensino-aprendizagem, todos temos consciência da importância da avaliação das
nossas práticas, todos, mesmo os que pensavam estar a utilizar de forma adequada
algumas das ferramentas proporcionadas pela WEB.2 acabaram por concluir que
efetivamente elas poderão ser exploradas de uma forma mais profícua tanto para
o docente como para o aluno. Por mais que não fosse, estas constatações provam
a necessidade da formação contínua dos professores, em especial nestas áreas
das tecnologias de modo a poderem atualizar as suas práticas letivas.
Interessante também este vídeo que procura explicar de
forma breve o aparecimento do modelo TPACK
“Na cultura digital ou cibercultura (Lemos, 2007,2010; Lévy, 1997;
Silva, 2008) isto é, no cenário baseado na relação simbiótica entre sociedade,
cultura e novas tecnologias de base microeletrónica conectadas à INTERNET avançada,
não basta o professor ter acesso e saber
usar o computador, tablet e celular conectados à internet, para lecionar na
modalidade online. Ele precisa desenvolver saberes docentes específicos em
diálogo permanente com os saberes construídos na modalidade presencial.”
(Silva, Marcos; Cilento, Sheilane, Capítulo V – Formação de professores para
Docência Online no Brasil: Considerações sobre um estudo de Caso in Moreira, J.
António; Barros, Daniela; Monteiro, Angélica, Inovação e Formação na sociedade digital)
Numa sociedade dominada pelas
novas tecnologias da informação e da comunicação sempre em evolução,
acarretando com elas novos paradigmas em termos culturais, sociais, económicos,
educacionais , é cada vez mais premente reinventar a prática docente, à medida
que se vai impondo a modalidade educacional online quer no ensino superior
quer no ensino escolar. Os saberes docentes vão-se construindo ao longo vida
profissional do docente, dotando-o de competências não apenas didáticas, mas
também pedagógicas que lhe permitem contornar e gerir mais facilmente as
situações de aula. Como referem os autores do capitulo V “Formação de
professores para docência online no Brasil” in (António Moreira, Angélica Monteiro, Daniela Barros, 2015, pág.97), “O saber docente consolida-se
essencialmente na prática pessoal da sala de aula, estando ligado à pessoa, sua
identidade, experiência de vida e trajetória profissional”.
Assim, defendem estes autores que
os saberes docentes são existenciais
(ligados aos aspetos “emocionais, afetivos, pessoais e interpessoais, sociais,
pragmáticos”), sociais (advêm de
fontes diversas: “escola, universidade, formação profissional e contínua”),pragmáticos (saberes que “são
mobilizados e modelados no âmbito da interação entre o professor e os outros
atores educacionais” –Tardif,2007:106-). No entanto, estes saberes, numa
situação de ensino que envolva efetivamente as novas tecnologias, terão que ser
conjugados e muitas vezes adaptados a novas situações criadas pelo uso destas
ferramentas. Ao professor, entendido como mediador, cabe-lhe promover a
construção da comunicação e do conhecimento tanto nas sessões presenciais como
on-line. Professores e alunos tornam-se parceiros na construção do
conhecimento. Não basta ao professor dominar as ferramentas com que trabalha,
ter os conhecimentos específicos em termos curriculares, ele terá também que
desenvolver competências sócio afetivas; de gestão do tempo, mas também
“competências tecnológicas que orientem a inclusão do aluno na dinâmica
específica da plataforma de e-learning”(Moreira, 2015:101). A utilização de
e-mails, fóruns, chats, entre outros só poderá ser frutífero na construção do
conhecimento se a comunidade, com a ajuda do professor (mediador), conseguir
estabelecer as interações de comunicação e de aprendizagem. “Para não subestimar as potencialidades
comunicacionais [da plataforma e-learning], para não subestimar o perfil comunicacional
dos cursistas, para não comprometer a formação e a educação, será preciso
promover o diálogo constante dos saberes em jogo.” Moreira, 2015:100).
Como temos vindo a verificar,
nesta unidade curricular, promove-se a comunicação, sendo que o professor,
mediador, acompanha as intervenções dos cursistas, vai colocando questões, vai
estimulando o diálogo, vai lançando desafios, ou seja torna-se também um membro
ativo desta comunidade virtual. Senão vejamos este modelo de mediação docente
que nos aparece na página 110 do capitulo acima citado, e qua passo a citar
apenas no que se refere à Colaboração e interatividade: »“Construcionista,
interacionista e colaborativa. Relações horizontais abertas à colaboração e à
coautoria. O docente é um proponente da formação. Juntamente com os cursistas
promove a cocriação da comunicação e do conhecimento. Vinculação todos-todos em
presença “virtual” nas interfaces.»
Este modelo de ensino requer formação para a docência quer seja no ensino
superior, mesmo em universidades onde o ensino online é já uma realidade, quer
no escolar, onde me parece que o caminho a percorrer é ainda mais longo, com
muitos obstáculos a vencer, mas a vida é isso mesmo, um eterno desafio!
Partilho o seguinte texto: OS SABERES PROFISSIONAIS DOS PROFESSORES NA PERSPECTIVA DE TARDIF E
GAUHIER: CONRIBUIÇÕES PARA O CAMPO DE PESQUISA SOBRE OS SABERES DOCENTES NO
BRASIL , Aliana Anghinoni Cardoso – UFPEL,
Mauro Augusto Burkert Del Pino – UFPEL, Caroline Lacerda Dorneles - UFRGS

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